terça-feira, 5 de outubro de 2010

Entrevista - Daniel Hiver




Nosso convidado de hoje, é uma pessoa fantastica que temos certeza 

de que vocês gostarão de conhecer...

Como vocês o nosso amigo Daniel Hiver!




Desde que me lembro eu era o guri que gostava de escrever. Comecei cedo a escrever minhas primeiras poesias ainda no tempo do colégio. Uma vez, na sexta série ganhei uma medalha de “Honra ao mérito” por uma redação que fiz e que, naquela oportunidade, foi apontada como a melhor escrita em toda a escola. Eu escrevia no início a mão, depois na Olivetti Dora vermelha que o meu pai me deu. Foi assim até os primeiros anos da faculdade de comunicação. Aí chegou uma época muito chata da minha vida em que eu, já adulto, comecei a fazer as mesmas coisas que todos os adultos fazem. Comecei a trabalhar muito e deixar de lado meus sonhos. Então eu esqueci da coisa que eu mais gostava: escrever. Deu no que deu. Eu parei de escrever, e apenas muito esporadicamente, eu fazia alguma coisa. Mas só em circunstâncias extremas como uma noite de insônia em que eu voltava ao papel e as frases que descreviam perfeitamente o que eu estava sentindo. Depois de muitos anos eu já não estava mais no tipo de trabalho totalmente absorvente em que tinha me metido e comecei a questionar valores como a lealdade, a amizade verdadeira, o amor genuíno. Foram tantas inquietações que eu comecei a escrever compulsivamente. Eu anotava idéias no papel e depois vinha para o editor de texto onde as idéias encorpavam e, enfim, se transformavam em poesia. Guardo as coisas que escrevi nuns CDs de backup que estão guardados aqui em alguma gaveta. Estou atualmente escrevendo um romance que não sei quando vai ficar pronto e meu grande sonho, que não sei se algum dia vou concretizar, é publicar um livro.





ENTREVISTA

1 - Uma descrição do “Pelo caminho dos plátanos”.

No momento é o espaço que eu criei para acomodar confortavelmente as idéias e os sentimentos que não consigo segurar apenas comigo. É um caso de não conseguir ficar em silêncio o tempo todo. Então eu falo com o papel, discuto com a página do editor de texto inteiramente em branco e começo então a dizer o que sinto. Então as palavras simplesmente me saem e eu coloco aqui. Não é primeiramente com o objetivo de eu ser lido. Eu sei que alguns visitam o blog e “sentem” meus poemas. Mas eu vejo por outro ângulo. Sinto que o “Pelo Caminho dos Plátanos” se justifica mais por que é um jeito de eu não segurar só para mim o que me assombra.

2 - De onde surgiu a idéia de criar o “Pelo caminho dos plátanos”? Você obteve alguma inspiração em algum outro blog para começar a publicar o seu?

Um dia eu estava na internet procurando umas coisas e caí num blog de poesia que me chamou muita atenção. Se não me engano era o blog “Jardim da Clarice” da Clarice Ge. No blog ela mistura imagens e poesia com a maestria típica de quem tem grande talento. Eu lembro que fiquei um bom tempo apreciando os poemas e na hora nasceu a idéia de criar um blog em que eu pudesse colocar as minhas coisas na medida em que elas me aparecessem. Então criei meu primeiro blog em 2007. Publiquei mais de cem poesias. O blog ficou no ar mais de um ano e tinha bem mais visibilidade que o meu blog atual. Mas aí começaram uns comentários “anônimos” que me chatearam tanto que eu resolvi tirá-lo do ar. Só que saí clicando enraivecido e nem lembrei de fazer backup. Perdi quase tudo. Talvez estejam curiosos para saber o nome do blog e tentar lembrar se já me conheciam desta época, mas é melhor deixar assim por que ele já não existe e é melhor o deixar dormindo em paz. Depois disso fiquei quase um ano na velha fórmula de escrever e salvar poesias no computador. Aí não me contive. Deu saudade. Descobri que podia criar um novo blog e a Patty do Blog Palavras (que também se chateou e tirou o blog dela do ar) me disse que eu podia configurar a sessão de comentários de um jeito que eu pudesse visualizar antes o conteúdo e decidir na hora, ou pela publicação ou pela rejeição de comentários como aqueles que me deixaram tão fulo lá no outro blog. Aí nasceu o “Pelo Caminho dos Plátanos” que eu iniciei e tenho mantido e que alguns de vocês conhecem e visitam. Nele eu coloco para fora e a vista dos olhos de vocês tudo aquilo que eu não consigo guardar em absoluto segredo, por que se fosse segurar para mim eu adoeceria.

3 - Como foi a sua primeira postagem e o que te motiva a manter o “Pelo caminho dos plátanos”?

A minha primeira postagem foi no dia 25 de agosto de 2008. Por coincidência está fazendo exatamente dois anos hoje. O título deu nome ao blog “Pelo Caminho dos Plátanos”. Se observarem no blog há algumas postagens com data anterior. Mas essas eu descobri um jeito de colocar em datas anteriores por que eram poesias que já tinha escrito antes de criar o blog e tinha salvado numa pasta de computador. Então para estabelecer a ordem cronológica eu voltei no tempo. Mas voltando dois anos atrás eu disse, na época, na primeira linha do poema que “eu não saberia dizer quem eu sou hoje.” Depois lá pelas tantas eu falei de sonhos que eu havia deixado de lado e falei da decisão de escolher o caminho dos plátanos, por ter, até então, deixado de observar coisas como os ipês e as cerejeiras. Esse é um típico poema de constatação do quanto a vida pode passar ligeiro e sem sentido se ficarmos de braços cruzados.

4 - O que você dá mais importância em seu blog? E por quê?

Eu valorizo demais a oportunidade de expressar exatamente como eu me sinto. Por que não tenho por perto amigos de verdade daqueles dispostos a ouvir e usar de empatia. Então eu falo com pessoas que eu sei que vão estar em algum lugar, na frente de algum computador, ou na frente de um laptop. No meio do expediente no trabalho, ou no meio da madrugada. Mas sei que vão parar um pouquinho o que estão fazendo para ler e, de certa forma “sentir o que eu sinto”; pelo menos durante aquele minuto de leitura. Já é alguma coisa. Saber que o grito é ouvido por alguns que até se enxergam no meio de muitas coisas que eu escrevo.

5 - Qual o interesse dos visitantes no “Pelo caminho dos plátanos”? Que tipo de informação ou interação você acha que eles procuram?

Acredito, e alguns já deixaram na sessão de comentários, que é por que se identificam com o tipo de coisas que escrevo. Na maioria das vezes são poemas intimistas, doídos, “sofridos” como dizem alguns.  E como eu não sou o único a me sentir assim, na maioria das vezes eu percebo que procuram ler o que eu escrevo para que depois pensem um pouco em como seus sentimentos são parecidos. Somos feitos sim de alegrias, inspirações, mas todos temos os nossos períodos de tristeza, vazio e melancolia. Quem é sensível o bastante para entender, se dá conta disso e vem ao “Pelo Caminho dos Plátanos” para entender um pouco mais de si mesmo e para compartilhar suas emoções quase idênticas. Eu acho que o meu blog é denso. Não é para diversão. É um espaço para tentar se falar do que é difícil falar e tentar entender o que talvez não tenha nem explicação.

6 - O que você mais sente falta no Brasil e como expressa isso em seus textos ou poemas?

O blog é intimista. Não há muito espaço dentro dele para o que está ruim no país. Eu poderia falar horas da ganância, da falta de oportunidades para aquela fatia da população menos favorecida. Poderia discursar sobre a falta de segurança, sobre estarmos presos dentro de casa atrás de grades e mil fechaduras quando os bandidos de todo tipo andam livres nas ruas. Eu poderia falar do desemprego, da corrupção ou das queimadas no centro do país que trazem fumaça e fuligem aqui para o Rio Grande do Sul. Mas o “Pelo caminho dos plátanos” não é para isso. Ele é o caminho para andar ao lado de quem sente o que tem dificuldade de admitir, de expressar. É um blog para o país que temos dentro de nós bem lá no íntimo.

7 - Como você define seu momento de criação ou de escolha caso você não escreva seus próprios textos ou poemas?

Todas as postagens no meu blog são originais e são de minha própria autoria. Não penso muito em definir o meu atual estágio. Nem me preocupo muito com coisas como estilo ou forma. Simplesmente vou escrevendo. E parece que quanto mais escrevo mais gosto de me enveredar por esses caminhos e percebo que, à medida que os anos passam, sinto mais satisfação em ler mais tarde as coisas que escrevo. Acho que estou aprendendo e nunca vou parar de aprender. E se tem algum segredo, no meu caso, é simplesmente eu estar disposto a escrever o que me passa pela cabeça e especialmente mostrar para vocês como eu me sinto e sou pelo lado de dentro. Esse lado que bem poucos ousam reconhecer a existência. Mas que existe e é forte e exerce sempre as maiores influências. 

8 - Qual a imagem que você faz das pessoas que apenas colam comentários e não interagem com o que você de fato escreveu?

Passam uma imagem de completa futilidade. Acho que deveriam procurar outra coisa para fazer. Por que isso não faz o menor sentido e nem tem graça alguma. É de gosto duvidoso e muito indelicado para dizer o mínimo. Ir lá e escrever umas poucas palavras e colar em dezenas de blogs só com intuito de aguardar que as pessoas retribuam a visita é patético.

9 - Porque você batizou o seu blog com este nome?

Por que os Plátanos aqui no sul do Brasil estão por toda parte e, especialmente no outono ficam lindos com todas aquelas folhas de formato característico se espalhando por toda a parte. “Pelo caminho dos plátanos” é uma clara referência ao outono, a estação que mais gosto e a época do ano em que me sinto melhor. E também por que em um determinado outono (o de 2007) o meu coração, de modo surpreendente, passou por um incrível processo de reaquecimento. O que aconteceu teve tanta força que as lembranças do que houve me acompanharão pelo resto da vida.  

10 - Se puder e quiser, fale um pouco de você e de seu trabalho.

Na intimidade eu sou um cara desses sem muita frescura. Gosto de uma boa conversa. Não fico interrompendo os outros quando eles falam. Sou bom ouvinte. Não tenho muita dificuldade para dar risada, para aproveitar as deixas e fazer alguma observação espirituosa. Gosto de observar. Tento ser jeitoso. Levo em consideração os sentimentos dos outros. Me preocupo não só com "o que dizer", mas com o "como vou dizer". Sou discreto e tento não esperar demais dos outros para não me decepcionar depois. Foi uma das coisas que eu aprendi na vida até agora. E a vida, a própria vida, é o melhor professor que temos. Gosto de esporte, especialmente futebol, sou colorado, gosto de livros. Adoro ficção, biografias, memórias. Quase um cinéfilo. Sou publicitário de formação. Mas trabalho atualmente como supervisor de vendas de uma indústria de fora que tem negócios aqui no Rio Grande do Sul.

11 - Você acha que a visitação/repercussão do "Pelo caminho dos plátanos" está boa?Era isso que você esperava?

Eu não tenho grandes ambições com o meu blog. Eu sei que esse tipo de coisa que escrevo não é muito popular. E eu também não fico alardeando, fazendo propaganda com objetivo de acelerar o número de visitas. Então as coisas vão acontecendo no meu ritmo e acredito que, considerando o contexto, a repercussão é boa sim. Mas vou confessar uma coisa. Eu adoro as visitas e os comentários inteligentes. E quem sabe, com o tempo, mais pessoas se somem nessa caminhada pelo caminho dos plátanos. Reconhecimento não é a coisa mais importante, mas dependendo, é uma poderosa força de estímulo para continuar escrevendo.

12 - Sobre o layout das suas postagens (imagens), como você definiria seu estilo?

As minhas poesias, em sua quase totalidade, vão para o blog desacompanhadas. Dou mais atenção às palavras do que às imagens em si. E acredito que a minha poesia deve ser forte o bastante para se segurar sem depender do reforço visual. Mas isso não é uma crítica ao pessoal que escreve poesia, nas mais variadas formas, e anexa uma foto. Eu particularmente gosto. Tem gente com muito talento que faz isso. Mas como eu não tenho o mesmo talento, vou me aprofundando mesmo é na função de juntar as palavras. É quase um exercício de aproximar as palavras e apresentá-las umas às outras. Uma coisa curiosa que eu faço, antes de decidir se está boa ou não para publicar, é experimentar a sonoridade. Gosto de ler em voz alta e aí, se o efeito é bom, eu publico. Mas se ao ler em voz alta eu não aprovo é sinal de que vou precisar ainda fazer uns ajustes e dar aqueles famosos retoques. E, se depois disso não chegar onde quero, eu transformo em rascunho e boto para dormir dentro duma pasta em "meus documentos”.

13 - O que te chamou mais a atenção na blogosfera?


A capacidade das pessoas que tem coisas em comum de se aproximarem e compartilhar suas coisas, umas com as outras.
 
 14 - O que faz você pensar em desistir de continuar com o "Pelo caminho dos plátanos"? Algo assim que te aborreça e que gostaria que fosse diferente...

Eu já tirei um blog do ar em função de comentários desrespeitosos de anônimos. Acredito que só isso me faria pensar em desistir. Mas agora que descobri que posso moderar os comentários; eu simplesmente deleto "aquelas pérolas ao avesso" que alguns colocam de vez em quando. Por isso, no momento, eu não penso em descontinuar o blog.

15 - Como faz para escolher o titulo de seus poemas ou textos?


Em cem por cento dos casos, depois de terminado, eu releio os versos algumas vezes e busco palavras que traduzam a minha sensação ao ler o poema. Às vezes a opção é buscar palavras que ilustrem o que o leitor achará pela frente ao se aventurar na leitura. É sempre esse o processo. Primeiro a poesia. E por último o título.

16 - Você poderia afirmar que a música influi diretamente em sua forma de escrever? Caso sim... explique como se dá este processo.


Por acaso a resposta é não. Geralmente o que eu escrevo é produto exclusivo daquilo que eu converso comigo mesmo quando estou sozinho. Mas já escrevi poemas a base da letra de algumas músicas; ou em resultado de algo que alguma canção me disse. Também acho que alguns poemas ficam absurdamente melhores com uma trilha ao fundo. Já publiquei uma poesia no blog e depois coloquei o link de uma música com imagens que a meu ver tinham a ver com as sensações daquela poesia em particular. Mas não é uma influência direta. Como no caso das imagens, a música é acessória apenas.

17 - Quanto aos comentários e visitas, qual o nível de importância eles tem para você no sentido de dar continuidade ao "Pelo caminho dos plátanos"?

Valorizo os comentários. São uma força e tanto. E evidentemente eu atribuo grande importância a eles. E, aproveitando aqui o espaço, aproveito para agradecer aos visitantes do meu blog e seus comentários, na maioria das vezes, profundamente instigantes e estimulantes.

18 - A que ponto o "Pelo caminho dos plátanos" interfere na sua vida pessoal? - Ou o contrário... rs...


Eu procuro separar a vida pessoal do ato de criar. Por exemplo, não publico tantas vezes e nem visito tantos amigos e blogs por que tenho meu trabalho, minha vida particular, minhas preocupações e também aborrecimentos; sem dispor de todo tempo do mundo apenas para o prazer de escrever. É claro que é a mesma pessoa que tem a sua vida pessoal, e que por causa do tipo de vida que teve e que tem, vai lá e escreve. Mas eu procuro fazer a coisa de um jeito que a receptividade ou não às coisas que escrevo não seja a coisa principal a apontar o norte. E pretendo continuar escrevendo; independente da experiência atual com o blog.
 

19 - Aqui o Espaço agora fica Aberto para que você possa deixar o seu recado... Obrigado por sua participação.
 

Foi a minha primeira entrevista. Eu agradeço de coração a oportunidade. E aqui um abraço especial e caloroso ao amigo Élcio por mais essa iniciativa. Eu quase me senti no "Programa do Jô" graças a ele que já fez muitas coisas por mim, inclusive me fez escrever haicais e escrever uma longa poesia em meu blog sobre o meu pai. E, para finalizar, eu quero agradecer aos visitantes do blog por suas visitas e comentários estimulantes, e dizer que são bem-vindos e que sempre espero vocês no caminho dos plátanos.

20 – O nosso recado para o Amigo Daniel Hiver

Obrigada por participar da entrevista e nos permitir conhecê-lo um pouco mais.
Receba o nosso carinho e admiração!




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