quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Conto Coletivo: A última chance de Pedro


A última chance de Pedro


Era quase meia noite quando uma voz insistente ecoava na cabeça de Pedro, perguntando insistentemente: 
“Você já pensou no que vai fazer Pedro? Pense bem... Amanhã é sua última chance, os caras não estão brincando. Pense bem.”
No outro dia ao acordar, resolveu falar com seu pai, quem sempre lhe dera bons conselhos. E o pai já velho, mas cheio de sabedoria, disse: - Faça o certo, meu filho. Não adianta fugir. Seria pior.  Então, o rapaz em lágrimas o seu pai abraçou e disse: Mas pai, eu não sei o que o certo, é justamente essa dúvida que está me deixando doido, o tempo está passando e eu não consigo encontrar uma saída para esta situação. Parece que o tudo está contra mim. Seu pai falou: Eu sei Filho querido, tenha FÉ! Saiba que pode contar comigo sempre, em qualquer tempo... Agora mais ainda, pois EU TE AMO independente do mal que te acometeu. Enfrentarei com você qualquer desafio, meu filho. Lembre-se de escolher sempre boas companhias, pessoas que sejam dignos da tua companhia, e tu próprio procura fazer o bem, para que possas sentir bem contigo, e com os outros, se fazeres isso jamais ouvirás essas vozes que te atormentam, e não te deixam dormir. Sabes que tens sempre aqui um amigo para te escutar, te elogiar, ou mesmo para te reprovar. Assumir o que te aflige é um bom início de vitória nesse doloroso caso, filho. Sou seu pai, nunca se esqueça disso.
Pedro sabia que por mais que pudesse contar com o apoio do pai e de todos que o amavam, a decisão era sua. Nossas escolhas determinam o que somos e o que seremos...
Ganhou a rua decidido. Era tempo de reagir. Não queria mais ser vítima do medo. Na hora, saberia o que falar como argumentar, pois existia algo diferente em seu olhar: confiança.
A cada passo que dava sentia aumentar a esperança de que tudo seria resolvido. Já é tempo de virar essa página, pensava Pedro. Chega de me esconder e evitar o lado claro da calçada. Eles não estão brincando, continuava Pedro, mas eu também não quero mostrar para todos, inclusive para mim mesmo do que sou capaz, e que o medo não me impedirá de chegar onde desejo. E assim Pedro foi se sentindo cada vez mais forte, mais decidido. Até que em determinado ponto do caminho decidiu enfrentar com fé e coragem o seu problema. Deu um telefonema, trocou algumas palavras pegou um endereço e saiu decidido não mais se esconder...
Apesar do medo, invadi-lo, Pedro seguiu firme no seu propósito. Pela primeira vez, em sua vida, se viu obrigado a tomar uma decisão que mudaria definitiva e satisfatoriamente, seus caminhos... Chegou ali, num lugar aparentemente tranquilo, mas sabia ele, que por trás dessa normalidade, se escondi ali, o motivo de toda a sua aflição... Sentou-se ofegante, mãos já suando, frias, pensamentos em torvelinho, e lembrou: - é isso!  E rapidamente, apanhou o bolo de notas que havia separado para aquele fim e enfiou-o no bolso de sua calça jeans, já surrada, gasta. Olhando novamente para suas próprias mãos suadas, ele sempre preocupado, lembrou-se mais uma vez de seu destino e temeu por ele. Porém, tomado finalmente de uma coragem antes nunca sentida, resolveu entrar.
O local estava lotado, várias pessoas falando e conversando ao mesmo tempo. No ar uma nuvem densa de fumaça produzida por cigarros e o cheiro forte de bebidas que exalavam. Olhou ao redor procurando o seu alvo, depois ligou e avisou o seu pai, pensou que talvez precisasse sair daquele casarão e resolver seu assunto de negócio, sendo que reservara até um quarto daquele hotel, se preciso fosse. Deixou somente o endereço do lugar para ele e pronto. Como não havia opção melhor, foi resolver com "os caras", do modo que melhor entendesse na hora.
No casarão em ruínas a manhã parecia suspensa... Havia um silêncio pesado, uma cortina de fumo, um nevoeiro espesso que o impedia de ver mais longe. E foi com receio que abriu a porta da garagem, estremeceu quando viu os dois carros estacionados, isso significava que Tony e Ângelo já tinham chegado.  Abriu uma porta pesada que dava acesso ao elevador e às escadas principais do edifício... Hesitou por onde deveria subir. Se fosse de elevador bastaria que um deles o aguardasse lá em cima, de arma em punho e não teria qualquer possibilidade, seria um homem morto. Resolveu ir pelas escadas, em biscos de pés e espreitando de quando em vez para o topo. Não queria ser apanhado de surpresa. Precisava urgentemente de chegar à sala de reuniões do "tio" antes de qualquer um dos outros dois. Localizou logo a porta da sala onde ele se encontrava, abriu-a e foi entrando sem pensar. Estava ali na sua frente, como sempre, em sua mesa fumando o seu charuto e com uma cara de poucos amigos. Logo que o viu levou um susto levantando-se rapidamente como se tivesse acabado de ver um fantasma. Engasgando-se com a fumaça começou a tossir e... E assim o fez resoluto de que frente a frente com seu "Tio" saberia explicar-se e buscar o entendimento esclarecedor de toda aquela confusão. Afinal, não havia roubado ninguém, apenas usara uma pequena parte para pagar os remédios do pai. Estava convicto da dívida e iria saldá-la ao final do mês.
Envolto em seus pensamentos, Pedro não se apercebeu da cara que seu tio fez ao ouvir o relato feito por ele. Seu tio não imaginava a dificuldade pela qual o irmão estava passando e o quanto aquele rapaz se esforçava para que não faltasse nada ao pai. O tio estendeu os braços para o menino e deu-lhe um abraço caloroso. Disse ainda que essa dívida não existia e só na sua cabeça é que o problema ganhara dimensão. Bastava ter falado e tudo se resolveria da melhor forma. Ele pode concluir que muitas vezes sofremos por antecipação, e que não devemos fazer tempestade em copo d'água. Quanto sofrimento ele teria evitado se tivesse falado antes com seu tio sobre o problema do pai? Ele passou por ladrão sem o ser, e o risco que correu sua reputação. Tudo por medo...
Depois do abraço, ergueu os olhos e olhou envergonhado para o tio que com sua uma expressão suave de indagação no rosto lhe perguntou: - Pedro, por que não me contou tudo antes? Se houvesse sabido de suas preocupações, do estado geral do meu irmão, de suas boas intenções nada disso havia acontecido! Aprende de uma vez com esta lição, filho, que somos uma família, e deve aprender a confiar na família. Tudo quando é esclarecido antecipadamente se resolve com muito mais tranquilidade.  Espero que tenha aprendido a lição e que não volte a agir desta forma!
Pedro abraçou o tio com muita gratidão e disse que partiria para o deserto, queria vê o céu azul, areia, sentir o vento no rosto, tomar banho nú nas lagoas que aquela época do ano o deserto deixava. Foi até seu quarto, arrumou sua mochila verde-oliva e disse que pegaria o primeiro trem, na madrugada... Ainda com a lua lucilando no céu ele partiu sem saber se era para o deserto mesmo que iria. Quantas dúvidas. Sempre os outros a resolver os seus problemas, nunca ele a tomar a iniciativa. Olhou para trás e percebeu que não pertencia mais aquele mundo. Daria os seus próprios passos, mesmo que estes não deixassem pegadas.
Para onde ir, perguntou. Não soube responder, mas foi... Às vezes precisamos do "deserto" como Cristo e tantos outros, para encontramos verdade. Com fé, não haverá perigo que Pedro não conseguirá vencer!  Ele deverá seguir à procura de novos horizontes. Oportunidades podem surgir e algum meio de ajudar o seu pai com o seu próprio trabalho.
Foi pensando nisso que Pedro seguiu em frente não foram tantas perguntas, nem foi preciso andar muito quando mesmo à sua frente havia um cartaz onde se lia "se tens amor e disponibilidade entra, precisamos de ti", ficou curioso, mas não tinha nada a perder e pelo menos dava para fazer uma paragem. Aproximou-se do portão e tocou o velho sino, começou a ficar com a respiração mais ofegante quando ouviu passos a aproximar e o velho portão abriu-se e a cara sorridente de uma senhora dos seus cinquenta anos que sem lhe perguntar nada o convidou a entrar. Levou-o para uma grande cozinha e serviu-lhe logo um grande lanche. Até que de repente sobre as vidraças viu que havia uma roda viva de crianças. Ficou com um olhar de espanto e aí a velha senhora explicou que ali era uma aldeia de crianças órfãs e que viviam com famílias formadas por mães ou pais e dividiam uma casa com mais irmãos, iam à escola, faziam tudo como uma família normal, só que tinha que haver mais casas mães como aquela em que se encontravam, falou que os apoios eram poucos e que não era qualquer pessoa que aceitava aquele tipo de trabalho, pois é preciso ter muito amor para dar. E enquanto a velha senhora falava Pedro pela primeira vez na vida sentia que era ali o seu lugar.


Agradecemos a todos pela participação!
Que venham mais interações fantasticas como essa!

Muito obrigado!!!

OBS: O livro será sorteado na primeira postagem 
do mês de novembro! 
Aguardem!!!



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