quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Conto Coletivo: A última chance de Pedro


A última chance de Pedro


Era quase meia noite quando uma voz insistente ecoava na cabeça de Pedro, perguntando insistentemente: 
“Você já pensou no que vai fazer Pedro? Pense bem... Amanhã é sua última chance, os caras não estão brincando. Pense bem.”
No outro dia ao acordar, resolveu falar com seu pai, quem sempre lhe dera bons conselhos. E o pai já velho, mas cheio de sabedoria, disse: - Faça o certo, meu filho. Não adianta fugir. Seria pior.  Então, o rapaz em lágrimas o seu pai abraçou e disse: Mas pai, eu não sei o que o certo, é justamente essa dúvida que está me deixando doido, o tempo está passando e eu não consigo encontrar uma saída para esta situação. Parece que o tudo está contra mim. Seu pai falou: Eu sei Filho querido, tenha FÉ! Saiba que pode contar comigo sempre, em qualquer tempo... Agora mais ainda, pois EU TE AMO independente do mal que te acometeu. Enfrentarei com você qualquer desafio, meu filho. Lembre-se de escolher sempre boas companhias, pessoas que sejam dignos da tua companhia, e tu próprio procura fazer o bem, para que possas sentir bem contigo, e com os outros, se fazeres isso jamais ouvirás essas vozes que te atormentam, e não te deixam dormir. Sabes que tens sempre aqui um amigo para te escutar, te elogiar, ou mesmo para te reprovar. Assumir o que te aflige é um bom início de vitória nesse doloroso caso, filho. Sou seu pai, nunca se esqueça disso.
Pedro sabia que por mais que pudesse contar com o apoio do pai e de todos que o amavam, a decisão era sua. Nossas escolhas determinam o que somos e o que seremos...
Ganhou a rua decidido. Era tempo de reagir. Não queria mais ser vítima do medo. Na hora, saberia o que falar como argumentar, pois existia algo diferente em seu olhar: confiança.
A cada passo que dava sentia aumentar a esperança de que tudo seria resolvido. Já é tempo de virar essa página, pensava Pedro. Chega de me esconder e evitar o lado claro da calçada. Eles não estão brincando, continuava Pedro, mas eu também não quero mostrar para todos, inclusive para mim mesmo do que sou capaz, e que o medo não me impedirá de chegar onde desejo. E assim Pedro foi se sentindo cada vez mais forte, mais decidido. Até que em determinado ponto do caminho decidiu enfrentar com fé e coragem o seu problema. Deu um telefonema, trocou algumas palavras pegou um endereço e saiu decidido não mais se esconder...
Apesar do medo, invadi-lo, Pedro seguiu firme no seu propósito. Pela primeira vez, em sua vida, se viu obrigado a tomar uma decisão que mudaria definitiva e satisfatoriamente, seus caminhos... Chegou ali, num lugar aparentemente tranquilo, mas sabia ele, que por trás dessa normalidade, se escondi ali, o motivo de toda a sua aflição... Sentou-se ofegante, mãos já suando, frias, pensamentos em torvelinho, e lembrou: - é isso!  E rapidamente, apanhou o bolo de notas que havia separado para aquele fim e enfiou-o no bolso de sua calça jeans, já surrada, gasta. Olhando novamente para suas próprias mãos suadas, ele sempre preocupado, lembrou-se mais uma vez de seu destino e temeu por ele. Porém, tomado finalmente de uma coragem antes nunca sentida, resolveu entrar.
O local estava lotado, várias pessoas falando e conversando ao mesmo tempo. No ar uma nuvem densa de fumaça produzida por cigarros e o cheiro forte de bebidas que exalavam. Olhou ao redor procurando o seu alvo, depois ligou e avisou o seu pai, pensou que talvez precisasse sair daquele casarão e resolver seu assunto de negócio, sendo que reservara até um quarto daquele hotel, se preciso fosse. Deixou somente o endereço do lugar para ele e pronto. Como não havia opção melhor, foi resolver com "os caras", do modo que melhor entendesse na hora.
No casarão em ruínas a manhã parecia suspensa... Havia um silêncio pesado, uma cortina de fumo, um nevoeiro espesso que o impedia de ver mais longe. E foi com receio que abriu a porta da garagem, estremeceu quando viu os dois carros estacionados, isso significava que Tony e Ângelo já tinham chegado.  Abriu uma porta pesada que dava acesso ao elevador e às escadas principais do edifício... Hesitou por onde deveria subir. Se fosse de elevador bastaria que um deles o aguardasse lá em cima, de arma em punho e não teria qualquer possibilidade, seria um homem morto. Resolveu ir pelas escadas, em biscos de pés e espreitando de quando em vez para o topo. Não queria ser apanhado de surpresa. Precisava urgentemente de chegar à sala de reuniões do "tio" antes de qualquer um dos outros dois. Localizou logo a porta da sala onde ele se encontrava, abriu-a e foi entrando sem pensar. Estava ali na sua frente, como sempre, em sua mesa fumando o seu charuto e com uma cara de poucos amigos. Logo que o viu levou um susto levantando-se rapidamente como se tivesse acabado de ver um fantasma. Engasgando-se com a fumaça começou a tossir e... E assim o fez resoluto de que frente a frente com seu "Tio" saberia explicar-se e buscar o entendimento esclarecedor de toda aquela confusão. Afinal, não havia roubado ninguém, apenas usara uma pequena parte para pagar os remédios do pai. Estava convicto da dívida e iria saldá-la ao final do mês.
Envolto em seus pensamentos, Pedro não se apercebeu da cara que seu tio fez ao ouvir o relato feito por ele. Seu tio não imaginava a dificuldade pela qual o irmão estava passando e o quanto aquele rapaz se esforçava para que não faltasse nada ao pai. O tio estendeu os braços para o menino e deu-lhe um abraço caloroso. Disse ainda que essa dívida não existia e só na sua cabeça é que o problema ganhara dimensão. Bastava ter falado e tudo se resolveria da melhor forma. Ele pode concluir que muitas vezes sofremos por antecipação, e que não devemos fazer tempestade em copo d'água. Quanto sofrimento ele teria evitado se tivesse falado antes com seu tio sobre o problema do pai? Ele passou por ladrão sem o ser, e o risco que correu sua reputação. Tudo por medo...
Depois do abraço, ergueu os olhos e olhou envergonhado para o tio que com sua uma expressão suave de indagação no rosto lhe perguntou: - Pedro, por que não me contou tudo antes? Se houvesse sabido de suas preocupações, do estado geral do meu irmão, de suas boas intenções nada disso havia acontecido! Aprende de uma vez com esta lição, filho, que somos uma família, e deve aprender a confiar na família. Tudo quando é esclarecido antecipadamente se resolve com muito mais tranquilidade.  Espero que tenha aprendido a lição e que não volte a agir desta forma!
Pedro abraçou o tio com muita gratidão e disse que partiria para o deserto, queria vê o céu azul, areia, sentir o vento no rosto, tomar banho nú nas lagoas que aquela época do ano o deserto deixava. Foi até seu quarto, arrumou sua mochila verde-oliva e disse que pegaria o primeiro trem, na madrugada... Ainda com a lua lucilando no céu ele partiu sem saber se era para o deserto mesmo que iria. Quantas dúvidas. Sempre os outros a resolver os seus problemas, nunca ele a tomar a iniciativa. Olhou para trás e percebeu que não pertencia mais aquele mundo. Daria os seus próprios passos, mesmo que estes não deixassem pegadas.
Para onde ir, perguntou. Não soube responder, mas foi... Às vezes precisamos do "deserto" como Cristo e tantos outros, para encontramos verdade. Com fé, não haverá perigo que Pedro não conseguirá vencer!  Ele deverá seguir à procura de novos horizontes. Oportunidades podem surgir e algum meio de ajudar o seu pai com o seu próprio trabalho.
Foi pensando nisso que Pedro seguiu em frente não foram tantas perguntas, nem foi preciso andar muito quando mesmo à sua frente havia um cartaz onde se lia "se tens amor e disponibilidade entra, precisamos de ti", ficou curioso, mas não tinha nada a perder e pelo menos dava para fazer uma paragem. Aproximou-se do portão e tocou o velho sino, começou a ficar com a respiração mais ofegante quando ouviu passos a aproximar e o velho portão abriu-se e a cara sorridente de uma senhora dos seus cinquenta anos que sem lhe perguntar nada o convidou a entrar. Levou-o para uma grande cozinha e serviu-lhe logo um grande lanche. Até que de repente sobre as vidraças viu que havia uma roda viva de crianças. Ficou com um olhar de espanto e aí a velha senhora explicou que ali era uma aldeia de crianças órfãs e que viviam com famílias formadas por mães ou pais e dividiam uma casa com mais irmãos, iam à escola, faziam tudo como uma família normal, só que tinha que haver mais casas mães como aquela em que se encontravam, falou que os apoios eram poucos e que não era qualquer pessoa que aceitava aquele tipo de trabalho, pois é preciso ter muito amor para dar. E enquanto a velha senhora falava Pedro pela primeira vez na vida sentia que era ali o seu lugar.


Agradecemos a todos pela participação!
Que venham mais interações fantasticas como essa!

Muito obrigado!!!

OBS: O livro será sorteado na primeira postagem 
do mês de novembro! 
Aguardem!!!



terça-feira, 26 de outubro de 2010

Conto Coletivo...

Amigos do Espaço Aberto,
No mesmo molde do POEMÃO, estamos aqui convidando vocês pra que façam parte dessa ESTÓRIA.
Vamos todos com muita imaginação dar continuidade a este conto, que começa assim...





A última chance de Pedro

Era quase meia noite quando uma voz insistente ecoava na cabeça de Pedro, perguntando insistentemente: 
“Você já pensou no que vai fazer Pedro? 
Pense bem... Amanhã é sua última chance, os caras não estão brincando, pense bem”...
No outro dia ao acordar ......



IMPORTANTE:

Quem quiser participar deve dar continuação ao texto anterior ao seu, seguindo a mesma linha de pensamento do colega para que o conto possa continuar sua trajetória de acordo com a imaginação de cada um, porém, sem perder o sentido.

Mas prestem bastante atenção, pois a continuação da estória deve acompanhar o texto do comentário anterior ao de vocês ok...  Coisa que não aconteceu no Poemão...

 (Iremos sortear um livro entre os amigos que participarem da criação da estória) 

Obrigado pela participação...
 
Espaço Aberto...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

UMA SEMENTE DE TRANSFORMAÇÃO


É com imenso prazer que recebemos 

em nosso Espaço Aberto

nossa querida amiga Jacinta.

Para os que ainda não a conhecem... 


Não deixem de visitar o seu blog.







UMA SEMENTE DE TRANSFORMAÇÃO


Em noite fria, escuto o cheiro que recende da terra molhada, e com a terra reflito. Sinto saudade de mim na vida de outros tempos. Saudade de amigos que se foram. Ronda-me uma melancolia que me parece síndrome de final de agosto, com tempo nublado e sol acanhado, indisponível para aquecer-me no desconforto da solidão. Os pensamentos voam... voam longe. Distante 20 anos da jovem romântica e sonhadora de outrora, dos encontros que primavam pelo viver dignamente no tom da fraternidade e do abraço, estou, hoje, seguindo, como todos seguem, fazendo o caminho, construindo outros e novos sonhos em cenários diferentes. Vinte anos: são duzentos e quarenta meses, sete mil e trezentos dias num tempo que demarca o intervalo entre o que foi e o que virá a ser, um tempo que antecede a maior idade; tempo de mudanças que exige responsabilidade. Tempo que passa e se aproxima do tempo em que a prescrição pode ditar as regras do que foi e do que poderia ter sido. E, revivo no tempo que agora chove, as tão sonhadas conquistas num tempo de vislumbradas mudanças apontadas pelo brilho da esperança na década que visualiza coragem, despojamento e busca. Década de 1980, do clamor por Diretas Já, de gente se encontrando como povo... Década que se encerra com ruas cheias de gente no adeus ao irmão querido que volta à terra forçado pelo tempo de outros que não queriam enxergar que entrávamos num novo tempo. Ah terra amada! Qual é o limite de tempo nessa passagem de volta ao seu encontro? O que fica de cada um? Por hora sei: O que tenho é o que vejo em você: a certeza de que sou nada e sou tudo. Sou cheiro, sou água, sou, também, terra molhada. Do todo, sou um pedaço, curtido pelo tempo que se renova e se recria. Sou Mulher, irmã da lua, feita de terra que me faz Ser. Sou corpo, morada do universo, morrendo e renascendo, e quando não mais for, ainda assim continuarei a ser em suas entranhas. E, eu, mistura da menina que fui com a mulher que sou, vejo-me imagem, perfume e leveza do barro e do sopro que me constitui. Faço-me Terra, enamorada do sol que se reluz molhada e se faz linda, fecunda, prenhe da imensidão em forma feminina, geradora de vidas vividas em seu seio, solo de lutas e disputas, ambição, servidão, Redenção. Terra querida, em você, Gaia mãe, percebo os frutos da luta de seus filhos ilustres que  se misturam e agora se tornam terra. Uma semente que contribui para a fecundação e transformação de novos filhos que de você virão.


Jacinta Dantas


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Abalos Sísmicos -Texto da Déia

Olá Pessoal...

Hoje a nossa postagem contará com a presença de uma pessoa muito querida na Blogosfera... Nossa Amiga Déia do blog: http://rumoaescrita.blogspot.com/ nos traz um texto maravilhoso que nos leva a uma profunda reflexão. 

Boa leitura para todos!

Tenham uma ótima semana! 




"ABALOS SÍSMICOS

Há algum tempo, escrevi um texto em que falava das etapas emocionais dos recomeços. Com muita curiosidade deparei-me com um longo texto de Roberto Pompeu de Toledo, que, ao comparar a política do governo atual com a do final do século XIX - início do século XX, concluía da seguinte forma: "Raras são as oportunidades de recomeço. O poder das continuidades é sempre maior."

O que chamou minha atenção no texto? Fora as exposições de cunho político, a idéia de que é necessário algo realmente grandioso para que um recomeço aconteça.

Em geral, conduzimos nossas vidas através da continuidade. Vamos à escola, estudamos, fazemos amigos nos lugares que frequentamos. Tomamos nossas decisões profissionais, insistimos nelas, namoramos, casamos, alguns descasam, voltam a namorar, temos filhos.

Vamos ao supermercado, ao analista, fazemos passeios nos finais de semana, saímos de férias e procuramos um lugar para descansar. Pagamos as contas, checamos o saldo no banco, entramos no cheque especial.

E o que é "grandioso" em nossas vidas? O que tem o poder avassalador de provocar uma ruptura tão profunda que precisamos de um "novo" começo?

Alguns podem dizer: você já mencionou dois momentos sísmicos em seu texto: casamento e separação. É a mais pura verdade. São marcos visíveis de alteração do que éramos antes. De um lado, não caminharemos mais sozinhos. Do outro, andaremos em nosso próprio ritmo novamente.

Quais são as outras oportunidades de recomeço? O quê em sua vida teve (ou tem) o poder de fazê-lo parar, refletir, ponderar e zerar o seu caminho? Sair da estrada e entrar num desvio, sem medo e sem olhar pelo retrovisor?

Não tenho as respostas para essas perguntas. São sempre íntimas as explicações. Por que deixamos de fazer algo, por que desistimos sem lutar, por que não nos aventuramos...

A continuidade fala mais alto dentro de nós. O desconhecido, o compromisso e o inesperado nos assustam.

E para você? Sua vida tem raros momentos de recomeço? Ou você aproveita as rupturas e entra, quando necessário, em uma nova estrada?

Deia"

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Feliz dia das crianças e dos Professores!



Nossa homenagem a todas as crianças do mundo e aos mestres/professores que nos ensinam a sermos pessoas melhores.




Ser Criança



"Ser criança é acreditar que tudo é possível.

É ser inesquecivelmente feliz com muito pouco

É se tornar gigante diante de gigantescos pequenos obstáculos

Ser criança é fazer amigos antes mesmo de saber o nome deles.

É conseguir perdoar muito mais fácil do que brigar.

Ser criança é ter o dia mais feliz da vida, todos os dias.

Ser criança é o que a gente nunca deveria deixar de ser."


Gilberto dos Reis




"O que é ser professor hoje? 


Ser professor hoje é viver intensamente o seu tempo com consciência e sensibilidade. Não se pode imaginar um futuro para a humanidade sem educadores. Os educadores, numa visão emancipadora, não só transformam a informação em conhecimento e em consciência crí­tica, mas também formam pessoas. Diante dos falsos pregadores da palavra, dos marqueteiros, eles são os verdadeiros "amantes da sabedoria", os filósofos de que nos falava Sócrates. Eles fazem fluir o saber – não o dado, a informação, o puro conhecimento – porque constroem sentido para a vida das pessoas e para a humanidade e buscam junto, um mundo mais justo, mais produtivo e mais saudável para todos. Por isso eles são imprescindí­veis."



Texto de Moacir Gadotti no livro: “Boniteza de um sonho: Ensinar- e -aprender com sentido”.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Entrevista - Daniel Hiver




Nosso convidado de hoje, é uma pessoa fantastica que temos certeza 

de que vocês gostarão de conhecer...

Como vocês o nosso amigo Daniel Hiver!




Desde que me lembro eu era o guri que gostava de escrever. Comecei cedo a escrever minhas primeiras poesias ainda no tempo do colégio. Uma vez, na sexta série ganhei uma medalha de “Honra ao mérito” por uma redação que fiz e que, naquela oportunidade, foi apontada como a melhor escrita em toda a escola. Eu escrevia no início a mão, depois na Olivetti Dora vermelha que o meu pai me deu. Foi assim até os primeiros anos da faculdade de comunicação. Aí chegou uma época muito chata da minha vida em que eu, já adulto, comecei a fazer as mesmas coisas que todos os adultos fazem. Comecei a trabalhar muito e deixar de lado meus sonhos. Então eu esqueci da coisa que eu mais gostava: escrever. Deu no que deu. Eu parei de escrever, e apenas muito esporadicamente, eu fazia alguma coisa. Mas só em circunstâncias extremas como uma noite de insônia em que eu voltava ao papel e as frases que descreviam perfeitamente o que eu estava sentindo. Depois de muitos anos eu já não estava mais no tipo de trabalho totalmente absorvente em que tinha me metido e comecei a questionar valores como a lealdade, a amizade verdadeira, o amor genuíno. Foram tantas inquietações que eu comecei a escrever compulsivamente. Eu anotava idéias no papel e depois vinha para o editor de texto onde as idéias encorpavam e, enfim, se transformavam em poesia. Guardo as coisas que escrevi nuns CDs de backup que estão guardados aqui em alguma gaveta. Estou atualmente escrevendo um romance que não sei quando vai ficar pronto e meu grande sonho, que não sei se algum dia vou concretizar, é publicar um livro.





ENTREVISTA

1 - Uma descrição do “Pelo caminho dos plátanos”.

No momento é o espaço que eu criei para acomodar confortavelmente as idéias e os sentimentos que não consigo segurar apenas comigo. É um caso de não conseguir ficar em silêncio o tempo todo. Então eu falo com o papel, discuto com a página do editor de texto inteiramente em branco e começo então a dizer o que sinto. Então as palavras simplesmente me saem e eu coloco aqui. Não é primeiramente com o objetivo de eu ser lido. Eu sei que alguns visitam o blog e “sentem” meus poemas. Mas eu vejo por outro ângulo. Sinto que o “Pelo Caminho dos Plátanos” se justifica mais por que é um jeito de eu não segurar só para mim o que me assombra.

2 - De onde surgiu a idéia de criar o “Pelo caminho dos plátanos”? Você obteve alguma inspiração em algum outro blog para começar a publicar o seu?

Um dia eu estava na internet procurando umas coisas e caí num blog de poesia que me chamou muita atenção. Se não me engano era o blog “Jardim da Clarice” da Clarice Ge. No blog ela mistura imagens e poesia com a maestria típica de quem tem grande talento. Eu lembro que fiquei um bom tempo apreciando os poemas e na hora nasceu a idéia de criar um blog em que eu pudesse colocar as minhas coisas na medida em que elas me aparecessem. Então criei meu primeiro blog em 2007. Publiquei mais de cem poesias. O blog ficou no ar mais de um ano e tinha bem mais visibilidade que o meu blog atual. Mas aí começaram uns comentários “anônimos” que me chatearam tanto que eu resolvi tirá-lo do ar. Só que saí clicando enraivecido e nem lembrei de fazer backup. Perdi quase tudo. Talvez estejam curiosos para saber o nome do blog e tentar lembrar se já me conheciam desta época, mas é melhor deixar assim por que ele já não existe e é melhor o deixar dormindo em paz. Depois disso fiquei quase um ano na velha fórmula de escrever e salvar poesias no computador. Aí não me contive. Deu saudade. Descobri que podia criar um novo blog e a Patty do Blog Palavras (que também se chateou e tirou o blog dela do ar) me disse que eu podia configurar a sessão de comentários de um jeito que eu pudesse visualizar antes o conteúdo e decidir na hora, ou pela publicação ou pela rejeição de comentários como aqueles que me deixaram tão fulo lá no outro blog. Aí nasceu o “Pelo Caminho dos Plátanos” que eu iniciei e tenho mantido e que alguns de vocês conhecem e visitam. Nele eu coloco para fora e a vista dos olhos de vocês tudo aquilo que eu não consigo guardar em absoluto segredo, por que se fosse segurar para mim eu adoeceria.

3 - Como foi a sua primeira postagem e o que te motiva a manter o “Pelo caminho dos plátanos”?

A minha primeira postagem foi no dia 25 de agosto de 2008. Por coincidência está fazendo exatamente dois anos hoje. O título deu nome ao blog “Pelo Caminho dos Plátanos”. Se observarem no blog há algumas postagens com data anterior. Mas essas eu descobri um jeito de colocar em datas anteriores por que eram poesias que já tinha escrito antes de criar o blog e tinha salvado numa pasta de computador. Então para estabelecer a ordem cronológica eu voltei no tempo. Mas voltando dois anos atrás eu disse, na época, na primeira linha do poema que “eu não saberia dizer quem eu sou hoje.” Depois lá pelas tantas eu falei de sonhos que eu havia deixado de lado e falei da decisão de escolher o caminho dos plátanos, por ter, até então, deixado de observar coisas como os ipês e as cerejeiras. Esse é um típico poema de constatação do quanto a vida pode passar ligeiro e sem sentido se ficarmos de braços cruzados.

4 - O que você dá mais importância em seu blog? E por quê?

Eu valorizo demais a oportunidade de expressar exatamente como eu me sinto. Por que não tenho por perto amigos de verdade daqueles dispostos a ouvir e usar de empatia. Então eu falo com pessoas que eu sei que vão estar em algum lugar, na frente de algum computador, ou na frente de um laptop. No meio do expediente no trabalho, ou no meio da madrugada. Mas sei que vão parar um pouquinho o que estão fazendo para ler e, de certa forma “sentir o que eu sinto”; pelo menos durante aquele minuto de leitura. Já é alguma coisa. Saber que o grito é ouvido por alguns que até se enxergam no meio de muitas coisas que eu escrevo.

5 - Qual o interesse dos visitantes no “Pelo caminho dos plátanos”? Que tipo de informação ou interação você acha que eles procuram?

Acredito, e alguns já deixaram na sessão de comentários, que é por que se identificam com o tipo de coisas que escrevo. Na maioria das vezes são poemas intimistas, doídos, “sofridos” como dizem alguns.  E como eu não sou o único a me sentir assim, na maioria das vezes eu percebo que procuram ler o que eu escrevo para que depois pensem um pouco em como seus sentimentos são parecidos. Somos feitos sim de alegrias, inspirações, mas todos temos os nossos períodos de tristeza, vazio e melancolia. Quem é sensível o bastante para entender, se dá conta disso e vem ao “Pelo Caminho dos Plátanos” para entender um pouco mais de si mesmo e para compartilhar suas emoções quase idênticas. Eu acho que o meu blog é denso. Não é para diversão. É um espaço para tentar se falar do que é difícil falar e tentar entender o que talvez não tenha nem explicação.

6 - O que você mais sente falta no Brasil e como expressa isso em seus textos ou poemas?

O blog é intimista. Não há muito espaço dentro dele para o que está ruim no país. Eu poderia falar horas da ganância, da falta de oportunidades para aquela fatia da população menos favorecida. Poderia discursar sobre a falta de segurança, sobre estarmos presos dentro de casa atrás de grades e mil fechaduras quando os bandidos de todo tipo andam livres nas ruas. Eu poderia falar do desemprego, da corrupção ou das queimadas no centro do país que trazem fumaça e fuligem aqui para o Rio Grande do Sul. Mas o “Pelo caminho dos plátanos” não é para isso. Ele é o caminho para andar ao lado de quem sente o que tem dificuldade de admitir, de expressar. É um blog para o país que temos dentro de nós bem lá no íntimo.

7 - Como você define seu momento de criação ou de escolha caso você não escreva seus próprios textos ou poemas?

Todas as postagens no meu blog são originais e são de minha própria autoria. Não penso muito em definir o meu atual estágio. Nem me preocupo muito com coisas como estilo ou forma. Simplesmente vou escrevendo. E parece que quanto mais escrevo mais gosto de me enveredar por esses caminhos e percebo que, à medida que os anos passam, sinto mais satisfação em ler mais tarde as coisas que escrevo. Acho que estou aprendendo e nunca vou parar de aprender. E se tem algum segredo, no meu caso, é simplesmente eu estar disposto a escrever o que me passa pela cabeça e especialmente mostrar para vocês como eu me sinto e sou pelo lado de dentro. Esse lado que bem poucos ousam reconhecer a existência. Mas que existe e é forte e exerce sempre as maiores influências. 

8 - Qual a imagem que você faz das pessoas que apenas colam comentários e não interagem com o que você de fato escreveu?

Passam uma imagem de completa futilidade. Acho que deveriam procurar outra coisa para fazer. Por que isso não faz o menor sentido e nem tem graça alguma. É de gosto duvidoso e muito indelicado para dizer o mínimo. Ir lá e escrever umas poucas palavras e colar em dezenas de blogs só com intuito de aguardar que as pessoas retribuam a visita é patético.

9 - Porque você batizou o seu blog com este nome?

Por que os Plátanos aqui no sul do Brasil estão por toda parte e, especialmente no outono ficam lindos com todas aquelas folhas de formato característico se espalhando por toda a parte. “Pelo caminho dos plátanos” é uma clara referência ao outono, a estação que mais gosto e a época do ano em que me sinto melhor. E também por que em um determinado outono (o de 2007) o meu coração, de modo surpreendente, passou por um incrível processo de reaquecimento. O que aconteceu teve tanta força que as lembranças do que houve me acompanharão pelo resto da vida.  

10 - Se puder e quiser, fale um pouco de você e de seu trabalho.

Na intimidade eu sou um cara desses sem muita frescura. Gosto de uma boa conversa. Não fico interrompendo os outros quando eles falam. Sou bom ouvinte. Não tenho muita dificuldade para dar risada, para aproveitar as deixas e fazer alguma observação espirituosa. Gosto de observar. Tento ser jeitoso. Levo em consideração os sentimentos dos outros. Me preocupo não só com "o que dizer", mas com o "como vou dizer". Sou discreto e tento não esperar demais dos outros para não me decepcionar depois. Foi uma das coisas que eu aprendi na vida até agora. E a vida, a própria vida, é o melhor professor que temos. Gosto de esporte, especialmente futebol, sou colorado, gosto de livros. Adoro ficção, biografias, memórias. Quase um cinéfilo. Sou publicitário de formação. Mas trabalho atualmente como supervisor de vendas de uma indústria de fora que tem negócios aqui no Rio Grande do Sul.

11 - Você acha que a visitação/repercussão do "Pelo caminho dos plátanos" está boa?Era isso que você esperava?

Eu não tenho grandes ambições com o meu blog. Eu sei que esse tipo de coisa que escrevo não é muito popular. E eu também não fico alardeando, fazendo propaganda com objetivo de acelerar o número de visitas. Então as coisas vão acontecendo no meu ritmo e acredito que, considerando o contexto, a repercussão é boa sim. Mas vou confessar uma coisa. Eu adoro as visitas e os comentários inteligentes. E quem sabe, com o tempo, mais pessoas se somem nessa caminhada pelo caminho dos plátanos. Reconhecimento não é a coisa mais importante, mas dependendo, é uma poderosa força de estímulo para continuar escrevendo.

12 - Sobre o layout das suas postagens (imagens), como você definiria seu estilo?

As minhas poesias, em sua quase totalidade, vão para o blog desacompanhadas. Dou mais atenção às palavras do que às imagens em si. E acredito que a minha poesia deve ser forte o bastante para se segurar sem depender do reforço visual. Mas isso não é uma crítica ao pessoal que escreve poesia, nas mais variadas formas, e anexa uma foto. Eu particularmente gosto. Tem gente com muito talento que faz isso. Mas como eu não tenho o mesmo talento, vou me aprofundando mesmo é na função de juntar as palavras. É quase um exercício de aproximar as palavras e apresentá-las umas às outras. Uma coisa curiosa que eu faço, antes de decidir se está boa ou não para publicar, é experimentar a sonoridade. Gosto de ler em voz alta e aí, se o efeito é bom, eu publico. Mas se ao ler em voz alta eu não aprovo é sinal de que vou precisar ainda fazer uns ajustes e dar aqueles famosos retoques. E, se depois disso não chegar onde quero, eu transformo em rascunho e boto para dormir dentro duma pasta em "meus documentos”.

13 - O que te chamou mais a atenção na blogosfera?


A capacidade das pessoas que tem coisas em comum de se aproximarem e compartilhar suas coisas, umas com as outras.
 
 14 - O que faz você pensar em desistir de continuar com o "Pelo caminho dos plátanos"? Algo assim que te aborreça e que gostaria que fosse diferente...

Eu já tirei um blog do ar em função de comentários desrespeitosos de anônimos. Acredito que só isso me faria pensar em desistir. Mas agora que descobri que posso moderar os comentários; eu simplesmente deleto "aquelas pérolas ao avesso" que alguns colocam de vez em quando. Por isso, no momento, eu não penso em descontinuar o blog.

15 - Como faz para escolher o titulo de seus poemas ou textos?


Em cem por cento dos casos, depois de terminado, eu releio os versos algumas vezes e busco palavras que traduzam a minha sensação ao ler o poema. Às vezes a opção é buscar palavras que ilustrem o que o leitor achará pela frente ao se aventurar na leitura. É sempre esse o processo. Primeiro a poesia. E por último o título.

16 - Você poderia afirmar que a música influi diretamente em sua forma de escrever? Caso sim... explique como se dá este processo.


Por acaso a resposta é não. Geralmente o que eu escrevo é produto exclusivo daquilo que eu converso comigo mesmo quando estou sozinho. Mas já escrevi poemas a base da letra de algumas músicas; ou em resultado de algo que alguma canção me disse. Também acho que alguns poemas ficam absurdamente melhores com uma trilha ao fundo. Já publiquei uma poesia no blog e depois coloquei o link de uma música com imagens que a meu ver tinham a ver com as sensações daquela poesia em particular. Mas não é uma influência direta. Como no caso das imagens, a música é acessória apenas.

17 - Quanto aos comentários e visitas, qual o nível de importância eles tem para você no sentido de dar continuidade ao "Pelo caminho dos plátanos"?

Valorizo os comentários. São uma força e tanto. E evidentemente eu atribuo grande importância a eles. E, aproveitando aqui o espaço, aproveito para agradecer aos visitantes do meu blog e seus comentários, na maioria das vezes, profundamente instigantes e estimulantes.

18 - A que ponto o "Pelo caminho dos plátanos" interfere na sua vida pessoal? - Ou o contrário... rs...


Eu procuro separar a vida pessoal do ato de criar. Por exemplo, não publico tantas vezes e nem visito tantos amigos e blogs por que tenho meu trabalho, minha vida particular, minhas preocupações e também aborrecimentos; sem dispor de todo tempo do mundo apenas para o prazer de escrever. É claro que é a mesma pessoa que tem a sua vida pessoal, e que por causa do tipo de vida que teve e que tem, vai lá e escreve. Mas eu procuro fazer a coisa de um jeito que a receptividade ou não às coisas que escrevo não seja a coisa principal a apontar o norte. E pretendo continuar escrevendo; independente da experiência atual com o blog.
 

19 - Aqui o Espaço agora fica Aberto para que você possa deixar o seu recado... Obrigado por sua participação.
 

Foi a minha primeira entrevista. Eu agradeço de coração a oportunidade. E aqui um abraço especial e caloroso ao amigo Élcio por mais essa iniciativa. Eu quase me senti no "Programa do Jô" graças a ele que já fez muitas coisas por mim, inclusive me fez escrever haicais e escrever uma longa poesia em meu blog sobre o meu pai. E, para finalizar, eu quero agradecer aos visitantes do blog por suas visitas e comentários estimulantes, e dizer que são bem-vindos e que sempre espero vocês no caminho dos plátanos.

20 – O nosso recado para o Amigo Daniel Hiver

Obrigada por participar da entrevista e nos permitir conhecê-lo um pouco mais.
Receba o nosso carinho e admiração!




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