terça-feira, 14 de setembro de 2010

Espaço Saúde


Mau Humor = Distimia

Quem nesta vida já não conheceu aquela pessoa que vive reclamando, a qual é praticamente impossível fazer companhia dada a sua antipatia e/ou mau humor frequente?

Confesso que não sabia, mas lendo um artigo sobre o assunto descobri que esse mal tem nome: Distimia e melhor, que pode ter cura... Imaginem que maravilha!

O Prof. Antônio Egídio Nardi, da UFRJ, vem estudando o caso há, pelo menos, 15 anos e já fez algumas descobertas bem interessantes e, quem sabe em um futuro próximo já se possa identificar o problema mais facilmente por meio de um simples exame laboratorial, pois atualmente o diagnóstico é puramente psiquiátrico, o que dificulta muito na descoberta precoce do problema, visto que muita gente ainda tem preconceitos com as questões psicológicas e-ou psiquiátricas e, muitas vezes, embora necessitem, evitam buscar ajuda para não serem taxados de "loucos".

Segundo o Prof. Nardi a Distimia é aquele mau humor crônico, persistente, aquela pessoa que é o típico "chato" que fica mau humorado por qualquer besteira, em qualquer situação, que tem baixa autoestima, é pessimista e perde facilmente o prazer pelas atividades. Imaginem que difícil deve ser para conviver com alguém assim e mais, como deve ser difícil para alguém com este problema conviver em sociedade sendo mal compreendido, insultado e tendo sua situação piorada a cada nova situação complicada... não deve ser nada fácil!

A Distimia também pode ser chamada de Transtorno Distímico que vem a ser um transtono afetivo crônico de caráter depressivo leve, embora não seja considerado um tipo de depressão, exatamente. Pode ter origem genético-hereditária, cujo desenvolvimento pode ser influenciado por fatores psicosociais que levam ao isolamento, podendo ser, no entanto causado pela disfunção de substâncias como a serotonina e a noradrenalina.

A pessoa portadora de Distimia hipervaloriza o lado ruim de tudo na vida e com isso vem o risco de depressão propriamente dita e dependência química. Os sintomas podem ser percebidos inicialmente pelo fato de a pessoa ser ou estar mau humorada todos os dias, sem motivos aparentes por um período de dois anos seguidos e pode durar anos e anos se não for tratada convenientemente.

Como na maioria de transtornos depressivos ou que levam à depressão, as mulheres são as vítimas principais da doença devido a alterações hormonais mais frequentes que nos homens.

O Prof. Nardi diz que os mau humorados crônicos normalmente têm poucos amigos, não somente porque as pessoas os deixam irritados, mas também pelo fato de que eles costumam irritar as pessoas ao redor com muita facilidade, o que só faz piorar a situação psicossocial do portador de Distimia, levando-o a um isolamento cada vez maior e causando um aumento significativo dos sintomas, que costumam ser:

- Transtornos alimentares, tais como inapetência ou comer excessivamente.
- Transtornos do sono, tais como insônia ou sonolência exagerada.
- Fadiga constante ou a sensação de falta de energia vital.
- Perda de memória e da capacidade de concentração.
- Baixa autoestima e sentimentos de incapacidade.
- Pessimismo constante.
- Incapacidade na tomada de decisões.
- Fobia social e isolamento o que pode acarretar, inclusive, na perda do interesse por atividades prazerosas e-ou sexuais.

A pressão externa é também um fator preocupante pois a maioria das pessoas que estão ao redor do Distímico não percebe que na realidade esta pessoa necessita ajuda médica e ao invés de ajudar neste sentido, pressionam para que melhorem o seu mau humor sob o risco de perder o trabalho ou o fim da relação conjugal, entre outras coisas. Por outro lado, o próprio Distímico costuma buscar a causa para seu problema em situações externas, tais como o trânsico, a chuva, o frio, o vento, o calor, o trabalho, a política, tudo, menos nele mesmo, o que alías é comum na maioria dos problemas de ordem psicológica e-ou psiquiátrica.

Embora seja um problema que dure anos, o tratamento adequado e precoce pode melhorar em muito o estado geral da pessoa e embora a cura ainda esteja sendo estudada, pode ser uma realidade dentro de pouco tempo.

Segundo os especialistas o tratamento mais eficaz é a associação de medicina antidepressiva inibidora da recaptação da serotonina com as psicoterapias de conduta, cognitivas, psicoanalícas, interpessoais e de grupo, vez que sem o tratamento adequado o normal é que o problema se agrave e evolucione para um quadro de depressão grave, real e maior.

Como em todo problema de ordem física, emocional e psicológica a prevenção e o diagnóstico precoce são as melhores alternativas. Devemos estar sempre alerta ao que passa ao nosso redor, tanto conosco quanto com aqueles que nos cercam. Somos seres sociais e portanto somos também responsáveis pelo que passa com aqueles que estão ao nosso lado. Se identificamos algo anormal, é nosso dever dar o primeiro sinal de alerta e, a partir daí, conduzir o outro (ou a nós mesmos) a buscar uma ajuda especializada com a finalidade de melhorar a qualidade de vida.

 
Muitos beijos, flores e muitos sorrisos.. sempre bem humorados!



Beijos a todos!

Carmem

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