quinta-feira, 22 de julho de 2010

Bruna Longobucco - Novos autores e falsas propostas editoriais




Olá Pessoal... É com imenso prazer que recebemos hoje em nosso blog a participação da grande escritora Bruna.
Ela nos fará compreender um assunto de grande importância, que merece a atenção de todos nós que gostamos de escrever.
Espero que seja de grande valia para todos, como foi para nós!

Um abraço carinhoso,

Equipe do Blog Espaço Aberto

OBS: A Bruna  nos doou um livro de sua autoria, autografado, para ser sorteado na próxima "Postagem Coletiva". Não deixe de participar!



Biografia:
Filha de imigrantes italianos, Bruna Longobucco nasceu em 10/04/1978, na cidade de Belo Horizonte/MG. Desde a infância interessou-se por Literatura e escrever veio como um dom natural. Em 2004 começou a divulgar seus trabalhos. Além de ter suas obras presentes em diversos sites literários, entre seletivas e concursos, já participou de mais de trinta antologias e de outras publicações, como artigos em jornais. Como autora independente, lançou seis livros: O menino que tecia sonhos (CBJE, 2004); Além das nuvens (Escritório de Histórias, 2005); Luz do sol (CBJE, 2006); O vale da liberdade (Editora Protexto, 2007); Um outro olhar (CJBE, 2008) e Sem Destino (Ixtlan, 2009). Em 2010, seu romance sobrenatural "Centúrias" integrou a Coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira da Editora Novo Século. Graduada em Comunicação Social e Direito, Pós-graduada em Revisão de Texto, é autora de poesias, contos, crônicas, romances e músicas.





Novos Autores e falsas propostas editorias 

Se cada atitude que tomássemos viesse com uma bula, na qual constasse a desilusão como efeito colateral, pensaríamos muito antes de empreender qualquer passo. Mas isso levaria nossa espontaneidade, a possibilidade de aprendizagem e a experiência não têm preço.
Porém, é preciso ser cauteloso. Alguns novos autores como eu, colegas que interagem pela rede, acabam entrando de cabeça em certas “canoas furadas”, deixando prevalecer apenas o sonho de publicar seu livro. Tais impulsos distorcem a realidade. Podemos cair de amores por qualquer proposta em relação à nossa obra (pois, como sabemos, não são muitas), a ponto de assinarmos um contrato ignorando o direito de autor. Parece improvável? Eu sei, mas acontece. É claro que no Direito as interpretações são diversas e cabe contestação, o que não deixa de ser um desgaste, porque nem sempre é fácil enfrentar um processo.
Está certo que Nossa Constituição Federal, ao disciplinar a propriedade intelectual, dispõe no artigo 5º, inciso XXVII: “aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar"
Nos termos da lei autoral (Lei nº 9.610/1998), “pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou.” Os direitos morais não se desvinculam da pessoa do autor, fato que permite a reivindicação da autoria da obra, a qualquer tempo (artigo 24, inciso I).
No entanto, os direitos patrimoniais são negociáveis. É o que representa o artigo 49, do mesmo diploma legal: “Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiro, por ele ou seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão, ou por outros meios admitidos em Direito, (...).”
Esclarece ainda o artigo 53: Mediante contrato de edição, o editor, obrigando-se a reproduzir e a divulgar a obra literária, artística ou científica, fica autorizado, em caráter de exclusividade, a publicá-la e a explorá-la pelo prazo e nas condições pactuadas com o autor. É justamente aí que podemos nos complicar se formos incautos. 
Assim, embora a autoria seja perpétua e, num primeiro momento, é o autor o titular dos direitos autorais de sua obra, no que se refere ao aspecto patrimonial, nem sempre o criador intelectual mantém a titularidade desses direitos, pois são limitados no tempo, podendo ser objeto de transações.
Laura Bacellar, que trabalha com editoras desde 1983 e possui vasta experiência no assunto, em seu site, “Escreva seu livro”, fez um post sobre “Editoras que não são editoras”. Acho que todos do meio deveriam lê-lo. Ela fala não exatamente o que gostaríamos de ouvir, mas o que precisamos saber.
Infelizmente, muita gente se aproveita dos sonhos dos outros. Faz da vontade um mercado lucrativo. Às vezes, a distribuição que a editora oferece e enche nossos olhos, leva um exemplar para cada livraria (quando leva), um volume escondido entre tantos outros que estão na estante. Significa que o esforço de venda e divulgação fica por conta do autor, assim como na publicação solo. Ora, uma proposta indecente de publicação, disfarçada de "grande oportunidade", inclui nada além do que uma editora prestadora de serviços faria (dessas em que podemos imprimir sob demanda), aliás, é muito menos, porque enquanto seu original não está amarrado num contrato em que alguém detém direito exclusivo de publicação, você é livre para fazer suas próprias escolhas e, como autor independente, obter retorno do que investe e não apenas uma porcentagem insignificante sobre o preço da capa do livro que ainda que não saiba, financiou, ou mesmo, nenhuma porcentagem.


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