quinta-feira, 6 de maio de 2010

ESPAÇO SAÚDE



Olá pessoal... É com muita alegria e satisfação que apresentamos a vocês a nossa amiga e convidada, Carmem Lúcia Vilanova, que junto a seu esposo, o médico Rafael Morales, serão os responsáveis pelo assunto Saúde dentro da proposta do Espaço Aberto de promover na blogosfera uma maior conscientização sobre transtornos como o Mutismo Seletivo que será abordado nesta postagem.
Aproveitem á oportunidade, pois o Espaço Aberto a partir de hoje estará levando até vocês este prático e inovador consultório virtual.








Aqui um pouquinho mais sobre a nossa amiga e colaboradora



CARMEM LÚCIA VILANOVA –



Brasileira, recifense de nascimento, brasiliense de criação e coração, cidadã do mundo com experiência no que há de mais diverso na vida, de cortar côco a pintar casas, de pregar botão a fazer filhos, nossa única oportunidade de brincar de ser Deus...
Plantadora de sonhos, que ora os colhe com alegria, ora com tristeza, mas sempre com esperanças de que a Vida seja sempre bela... e ela sempre é!
Amiga dos meus amigos!
Amor dos meus amores!
Teimosa como uma mula, adepta do "lutar sempre... desistir, jamais!"
Cheia de defeitos e qualidades como todo bom ser humano, nem melhor, nem pior do que ninguém, apenas diferente.
Experiências? Algumas!
Mulher, mãe, filha, esposa. E é pouco?
Formada em Letras Espanhol pela Universidade Federal de Sergipe, estudante de meio curso de arquitetura pela Universidade Católica de Goiânia, estudiosa de nutrição e tudo o que se relaciona à saúde, seja física ou mental. Meio psicóloga, o que venho aprendendo junto ao meu esposo Rafael com o passar dos anos de convivència, afinal, experiência profissional também é contagioso... e como!!!
Vegetariana por amor aos animais e à vida. Crudívora por opção e saúde.
Sagitariana, 42 anos (completos em dezembro de 2009), casada com Rafael (peruano), mãe de Lucas de 21 anos (brasileiro) e Carmencita de quase 6 (americana)

E, se posso resumir minha vida em uma só palavra, essa palavra seria... FELIZ!



E para dar início ao nosso Espaço Saúde, com vocês...



Mutismo Seletivo... Você sabe o que é?




Em linhas gerais, podemos dizer que Mutismo Seletivo é um transtorno de ansiedade social severo e persistente de caráter genético-hereditário que se caracteriza pelo fato de que a criança acometida desta condição evita a interação através da linguagem falada ou de compartilhar de algumas atividades sociais não familiares, devido ao fato de apresentar uma ansiedade grave, possuindo, no entanto, desenvolvimento e amadurecimento de suas habilidades de linguagem e aprendizagem absolutamente normais, as quais são evidentes em ambientes onde a criança se sente cômoda e segura, comumente na companhia dos pais, irmãos ou familiares mais próximos.
O Mutismo Seletivo, no entanto, está longe de ser um aspecto de timidez excessiva. Vai muito mais além. A timidez não paraliza uma pessoa, o Mutismo Seletivo sim. Por este motivo, é imprescindível a identificação do problema e de não confundí-lo como uma timidez extrema, visto que somente desta forma a criança poderá receber a ajuda necessária.
Uma das maiores frustrações dos pais de crianças com Mutismo Seletivo é que quando procuram conselho do pediatra ou profissional de saúde mental para crianças pequenas que não falam fora de casa, normalmente costumam escutá-los dizer que a criança é somente tímida e quando começa a etapa de frequentar o jardim de infância são informados por empregados da escola que a criança está severamente perturbada e que necessita ajuda psicológica.
As crianças com esta condição apresentam dificuldades para manter contato visual, evitam sorrir e expressar-se através de emoções faciais (em presença de estranhos), permanecem quietos fisicamente, tendem a uma maior ansiedade quando se dá a situação em que o uso da fala é esperada pelos demais, costumam se preocupar pelas coisas muito mais do que o normal, tem uma maior sensibilidade com relação ao barulho, sons estranhos e aglomerações de gente, sentem dificuldade de expressar-se de forma verbal ou não verbal quando em situações sociais estressantes, normalmente apresentam sentir mais medo das coisas consideradas normais, e demonstram, igualmente, um apego muito maior do que o normal das crianças.
Obviamente estas não são as únicas características do problema, mas são os mais significativos, ou pelo menos, os mais universais.
Sabe-se atualmente que o Mutismo Seletivo é muito mais comum que alguns outros tipos de transtornos, afetando uma média de 7 a cada mil crianças, sendo que destas, as meninas estão em uma proporção de 2:1. As razões pelas quais o Mutismo Seletivo se apresenta ainda é desconhecida, embora é sabido que o componente genético é predominante e, havendo histórico de traços temperamentais dos pais e antepassados relacionados à timidez, introversão ou ansiedade, podem promover a aparição desta limitação.
A criança muda seletiva não é, em absoluto, uma criança que deixa de falar por rebeldia, ou incapacidade de fazê-lo, menos ainda por malcriação ou por querer chamar a atenção. Ela não o faz simplesmente porque não pode, por uma intensa ansiedade que bloqueia esta habilidade. É preciso realçar que a criança não escolhe ficar calada em certas ocasiões, mas sente-se forçada a isso pela extrema ansiedade que vivencia, apesar de sua vontade e desejo de falar e interagir.
As crianças com Mutismo Seletivo não usam seu silêncio como uma forma de agressividade passiva, manipulação ou forma de desafiar aos demais. O Mutismo Seletivo não implica em uma decisão consciente por parte da crianças, e sim algo que ela não pode controlar, dado ao caráter involuntário do problema.
Há crenças de que as crianças com Mutismo Seletivo assim o são por ser severamente ou emocionalmente perturbadas ou por haver sofrido algum tipo de abuso. Não há, no entanto, evidências que confirmem esta crença. Avanços recentes, inclusive, nos levam a entender a base neurobiológica da ansiedade fazendo-nos entender que os seres humanos vivem geneticamente estruturados para ser vigilentes ante o perigo, e que em alguns indivíduos os mecanismos de regulamentação destes circuitos são excessivamente sensíveis, o que resulta que para estas pessoas, situações normais do dia a dia criam respostas de ansiedade que vão muito além dos níveis considerados normais.
Não há igualmente evidências de que as crianças portadoras de Mutismo Seletivo sejam provenientes de famílias tipicamente conflitivas.
A expectativa de que a criança fale, por parte dos adultos e-ou sociedade, é um fator prejudicial para o problema, visto que sendo a ansiedade a fonte e combustível desta dificuldade, qualquer situação ansiosa, estressante, agressiva ou exigente quanto à fala, não fará senão piorar a forma como a criança se sente e sua habilidade para lidar com a tamanha pressão que implica qualquer situação social. Sendo assim, ser paciente, respeitoso, compreensivo, afetuoso e manter uma atitude de apoio é sempre a melhor maneira de apoiar à criança, apoiando sua inclusão e adaptação ao entorno social do qual compartilha em plenitude, embora sem o uso da linguagem falada, respeitando e apoiando sua individualidade, o qual será a melhor forma de estimular sua tranquilidade, confiança e sentido de segurança, pois é em base a estas que a criança conseguirá reduzir e vencer, gradualmente, a ansiedade e assim, implementar o uso da fala como meio de relacionar-se em um futuro.


Por Carmem L Vilanova & Rafael Morales






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